Hoje eu chorei. Chorei no ônibus voltando pra casa. Não aconteceu nada comigo. Eu explico:
O ônibus estava parado no sinal e eu vi um homem pedindo dinheiro. Isso por si só já é muito triste, mas infelizmente, nós que moramos em cidade grande, estamos "acostumados" a ver.
Acontece que esse homem não tinha o braço direito e o esquerdo só ia até um pouco abaixo do cotovelo, onde ele carregava uma sacola plástica de mercado onde recebe as doações. Me pareceu que também tinha problema nas pernas, pois andava com dificuldade.
Uma pessoa nessa condição física, mas que tenha uma família e estrutura já deve ter muitas dificuldades. Imagina o tanto de obstáculos que esse homem enfrenta todos os dias pra se alimentar, se refrescar no calor e se aquecer no frio, "ir ao banheiro"...
Essa cena se passou ao lado da UERJ, próximo ao estádio do Maracanã, um pouco antes de um jogo no qual um dos times era o Flamengo. Tinha muita gente lá, inclusive vendedores ambulantes de bebidas e petiscos. Veja como gastamos dinheiro com tanta coisa e não nos damos conta de que o que pode ser pouco pra gente é o que faz a diferença na vida de algumas (muitas) pessoas.
Tudo isso bateu na minha mente em segundos e imediatamente eu comecei a chorar. Naquele instante, todos os meus problemas pareciam insignificantes se comparados aos daquele homem.
Essa não foi a primeira vez que chorei "em público" por causa da triste realidade de um desconhecido, mas isso é história pra outro post.
Escrevo o rascunho deste texto no celular, ainda no ônibus, e meus olhos ainda estão marejados.
O que mais me dói é lembrar que testemunhei o aumento exponencial de pessoas em situação de rua nesses últimos dois anos (coincide com algum grande acontecimento?) e, não sendo pessimista, mas realista, acredito que essa situação ainda vai piorar muito...