Sobre boias e relacionamentos
Estou envolvida nesse relacionamento que é complicado. Lá vai a história.
Me cadastrei num site de intercâmbio linguístico e venho conhecendo várias pessoas legais com quem tenho feito vários progressos linguísticos e tenho contribuído para o aprendizado e aprimoramento do Português.
Em fevereiro deste ano (2016), conheci esse francês que ainda não sabe nada de Português e vem morar no Rio por conta de seu trabalho. Ele me disse que tem visto para permanecer por um ano no Brasil. Nós conversávamos bastante em francês e eu já estava dando várias dicas sobre o que conhecer e visitar na cidade e também sobre onde ele poderia procurar casa.
Passamos um bom período conversando apenas sobre coisas culturais e linguísticas, mas aos poucos o papo foi ficando mais íntimo e ambos já demonstrávamos interesse em nos conhecer mais intimamente.
A chegada dele no Rio estava marcada para a quinta-feira da semana da Páscoa. Como ele ia chegar meio dia e eu estaria trabalhando até 19h, combinamos que na sexta-feira eu nos encontraríamos e eu o levaria para um passeio pela cidade. Mas a nossa curiosidade não aguentou esperar! Nos encontramos na quinta mesmo, jantamos e conversamos muito!
Eu estava especialmente contente, pois ele fala muito (Mais do que eu! E acho isso bom!) e é super bem-humorado! A única coisa ruim é que eu estava abatida, pois ainda estava me recuperando de uma virose que me fez faltar ao trabalho nesta mesma semana.
Depois do jantar, fomos passear um pouco pela orla de Ipanema e acabamos nos sentando um pouco pois eu estava muito cansada. Foi quando nossa conversa mudou um pouco e terminamos nos beijando.
Durante os próximos dias, nos encontramos e eu o levei pra passear e nossa relação se estreitou. Tínhamos uma ligação forte não apenas fisicamente, mas intelectualmente. Na segunda, ele teve que voltar pro Canadá (onde ele morava) e desde então não voltou mais. Nós continuamos nos falando quase todo dia pelo Skype e ele diz que vai voltar, mas ainda não sabe quando, pois os responsáveis da sua empresa são enrolados...
Por repetidas vezes ele afirma que depois de mim não esteve com mais ninguém e deixa a entender que só tem vontade de estar comigo. Confesso que sinto isso também, mas tenho receio, pois na verdade não nos conhecemos! Nós só conversamos por mais ou menos uma hora e à meia noite. Nós nunca usamos vídeo ou mesmo microfone e isso me deixa realmente "encucada".
Eu gosto bastante dele e tenho vontade de acreditar que podemos ter um futuro juntos, mas as condições não são favoráveis pra que eu me entregue à esse pensamento, mesmo que ele declare que só se interessa por mim.
A essa altura, você já deve estar se perguntando: "E o que isso tem a ver com as boias???"
E eu já te explico!
Eu aprendi a nadar já adulta. Fiz apenas um ano e meio de aulas e depois nunca mais nadei numa piscina "de verdade" (muito menos no mar!). Eu ainda me lembro de algumas "técnicas" e com certeza ainda consigo me deslocar e também sei flutuar, mas não me sinto muito segura numa piscina funda ou no mar.
Mesmo tendo limitações pra nadar, não sou de recusar uma piscina ou praia (mesmo que faça um boooom tempo que não vou em ambos), mas me mantenho atenta pra não ir muito fundo no mar ou pra me apavorar em uma piscina funda e acabar me afogando.
Vejo isso como um tipo de entrega, porém com "um pé em terra firme" e comparo essa situação aos meus relacionamentos. Já tive relacionamentos que me machucaram muito e faço de tudo pra não sofrer mais daquele jeito. Talvez eu tenha ficado até um bocado cética e fria em relação à isso.
Quero muito mergulhar de cabeça nessa nova possibilidade de relacionamento, mas definitivamente não estou nem um pouco disposta a sofrer mais por mentiras, abandono ou descaso. Mesmo tomando cuidado pra não me entregar demais, tenho aproveitado bastante nossos momentos juntos (mesmo que só virtualmente) e até arrisco a dizer que estou apaixonada, mas com moderação! Hehehe
Visualizo esta minha nova situação afetiva como uma imensa e profunda piscina e eu mergulhando nela, mas estou aparelhada com boias flutuantes, pois não quero me deixar afogar.